O Projeto Bacia Amazônica (OTCA/PNUMA/GEF), em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Universidade de Maryland, realizou em fevereiro de 2026 um curso online sobre o uso do modelo hidrológico HydroBID e da ferramenta WHAT-IF, como parte da preparação das Mesas Intersetoriais nacionais e regionais previstas para o segundo semestre.
Esses espaços de diálogo técnico reunirão representantes de diferentes setores para analisar cenários e apoiar a tomada de decisões coordenadas, no âmbito da implementação do Programa de Ações Estratégicas (PAE).
A formação, na qual participaram mais de 60 representantes dos setores de Água, Energia, Alimentos e Meio Ambiente dos oito Países Membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), consistiu em um pacote estruturado em dois módulos complementares, com uma carga horária total de 30 horas distribuídas em cinco dias. O primeiro foi dedicado ao HydroBID, um modelo de simulação hidrológica utilizado para analisar a disponibilidade de água, os cenários climáticos e os impactos sobre os recursos hídricos na bacia amazônica. O segundo módulo, centrado no WHAT-IF, abordou a análise de cenários intersetoriais, utilizando dados hidrológicos e outras variáveis para avaliar as interações, sinergias e compensações entre água, energia, alimentos e ecossistemas.
Formação técnica com aplicação prática
O curso sobre HydroBID apresentou os avanços em modelagem hidrológica desenvolvidos nos últimos quatro anos no âmbito da abordagem Nexus na Amazônia. Durante as atividades, os participantes aprenderam a manejar o modelo com o apoio do software QGIS, incluindo o carregamento e a organização de dados, a parametrização climática, a calibração e validação do sistema, bem como a interpretação de cenários hidrológicos aplicados ao planejamento dos recursos hídricos.
A formação foi ministrada por Silvia Regina Santos da Silva, pesquisadora da Universidade de Maryland (EUA), e por Fekadu Moreda, modelador hidrológico sênior da RTI International (Research Triangle Institute). Participaram membros oficialmente designados do Grupo Regional Nexus Água-Energia-Alimentos-Ecossistemas, composto por representantes governamentais dos setores de Água, Energia, Alimentos e Meio Ambiente dos oito países amazônicos, além de técnicos do Observatório Regional Amazônico (ORA) da OTCA.
Segundo Silvia Regina Santos da Silva, o HydroBID foi desenvolvido para ampliar o acesso a ferramentas de modelagem hidrológica e apoiar a tomada de decisões baseadas em dados. Trata-se de uma plataforma gratuita projetada para facilitar sua aplicação por diferentes tipos de usuários, que utiliza bancos de dados geoespaciais para representar digitalmente bacias hidrográficas e trechos de rios, permitindo analisar a disponibilidade de água e avaliar diferentes cenários hidrológicos em regiões como a Amazônia.
A atividade foi estruturada para garantir que os especialistas que participarão das futuras mesas intersetoriais dominem as ferramentas analíticas que sustentarão o diálogo técnico entre setores tradicionalmente planejados de forma separada.
A ferramenta Nexus no contexto da Amazônia
A abordagem Nexus — ou nexo água-energia-alimentos-ecossistemas — propõe a análise integrada das interdependências entre setores estratégicos. O uso da água depende da energia; a geração de eletricidade requer disponibilidade hídrica; a produção de alimentos exige recursos hídricos e energéticos e a saúde dos ecossistemas requer uma demanda constante de água.
Decisões tomadas de forma isolada podem gerar impactos significativos nos outros setores.
Entre 2021 e 2023, o Projeto Bacia Amazônica, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Universidade de Maryland e do Grupo Regional Amazônico Nexus, desenvolveu o modelo Nexus para a Amazônia. Em 2025, o modelo foi colocado em funcionamento e integrado ao Observatório Regional Amazônico (ORA), tornando-se uma ferramenta computacional capaz de executar simulações, integrar bancos de dados regionais e gerar cenários comparativos para apoiar decisões baseadas em evidências.
A ferramenta Nexus combina a modelagem hidrológica do HydroBID com a análise intersetorial do WHAT-IF, permitindo avaliar os impactos setoriais e suas inter-relações de forma integrada.
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Michael Aparco, profissional em GIRH Transfronteriço da Autoridade Nacional da Água do Peru (ANA) e participante do curso, destacou o valor dessas ferramentas para fortalecer a gestão do risco hídrico na região. “O uso de modelos hidrológicos como o HydroBID permite analisar cenários e fortalecer os sistemas de alerta precoce. Isso é especialmente relevante para iniciativas como o SAT Trinacional, que o Projeto Bacia Amazônica desenvolve na fronteira entre Peru, Brasil e Bolívia”, afirmou.
Próxima etapa: Mesas intersetoriais
Com a formação técnica, o Projeto Bacia Amazônica avança para a realização de Mesas Intersetoriais nacionais e regionais no segundo semestre de 2026. Esses espaços reunirão representantes de diferentes setores para analisar cenários, debater impactos e identificar soluções integradas com base nas evidências geradas pela ferramenta Nexus.
Nessas reuniões, a ferramenta será utilizada juntamente com a metodologia sobre a abordagem Nexus desenvolvida pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (CEPE), contribuindo para qualificar o diálogo e fortalecer decisões mais coerentes e sustentáveis para a região amazônica.
A realização dos cursos representa, portanto, um passo estratégico para consolidar as bases técnicas desse processo e avançar na aplicação da abordagem Nexus como uma prática concreta de gestão integrada na bacia amazônica.
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