Quatro estações de monitoramento glaciológico, meteorológico e hidrométrico foram instaladas nas cordilheiras Vilcanota e Carabaya, no sul do Peru, para medir em tempo real o derretimento e a disponibilidade de água proveniente das geleiras Killa Huasi e Allincapac, localizadas entre 4.800 e 5.300 metros de altitude. Essas estações fornecerão dados essenciais para compreender os efeitos do recuo glacial — que já atinge 53% de perda de massa no país — e para apoiar o planejamento hídrico nas comunidades que dependem diretamente do aporte hídrico desses glaciares.

O rápido recuo das geleiras andinas ameaça o abastecimento de água para consumo humano, agricultura e pecuária, além de aumentar o risco de desastres naturais, como deslizamentos e inundações. No Peru, cerca de 20 milhões de pessoas se beneficiam, direta ou indiretamente, da água proveniente das geleiras andinas, de acordo com um inventário de geleiras do Instituto Nacional de Pesquisa em Geleiras e Ecossistemas Montanhosos. Cientistas que estudam a conexão hidrológica entre os Andes e a Amazônia estimam que o derretimento glacial poderia reduzir em até 20% o caudal dos principais rios da bacia, afetando a disponibilidade de água em períodos de seca.

A instalação das estações faz parte do Projeto Bacia Amazônica – Implementação do PAE (OTCA/PNUMA/GEF) e é executada pela Autoridade Nacional da Água (ANA) do Peru. A iniciativa amplia a capacidade de compreender e responder aos impactos do recuo glacial na bacia amazônica, contribuindo para a segurança hídrica de milhões de pessoas e para a gestão sustentável e integrada dos recursos hídricos da região pelos oito países que compõem a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Monitoramento glaciológico para planejamento hídrico e adaptação

As estações instaladas permitirão aprofundar o estudo da interação entre a atmosfera e a geleira e a dinâmica hidrológica da montanha. Os dados, atualizados a cada hora, serão disponibilizados ao público através do Observatório da Água da ANA, contribuindo para o acesso à informação para o planejamento hídrico.

Equipe técnica da Autoridade Nacional da Água (ANA – Peru) na Cordilheira Vilcanota.

As áreas onde as estações foram instaladas são principalmente agrícolas e pecuárias, com comunidades diretamente afetadas pelo recuo glacial. O monitoramento permitirá compreender a variação da disponibilidade de água e apoiar alternativas de adaptação que garantam um uso mais eficiente da água.

Oficinas de sensibilização

Antes da instalação das estações, a ANA realizou oficinas de socialização e sensibilização com as comunidades da área dos glaciares Killa Huasi e Allincapac, com o objetivo de fortalecer as condições necessárias para a sustentabilidade e o funcionamento das estruturas de monitoramento. Nessas reuniões, também foi oferecido treinamento sobre o uso responsável da água, os impactos do recuo glacial e a importância do monitoramento para a segurança hídrica local.

Durante um dos workshops, o líder comunitário Juan Vilcalca, de Pacaje, destacou: “Ter acesso à informação e trabalhar lado a lado com o governo para reduzir o desperdício e melhorar a qualidade da água é fundamental para a segurança de nossas famílias, plantações e rebanhos”.

Ao ampliar o monitoramento glaciológico nas neves andinas, o Projeto Bacia Amazônica fortalece a capacidade regional de enfrentar os impactos da crise climática e contribui para melhorar a disponibilidade de água potável para as populações, os ecossistemas e as atividades produtivas que dependem da Bacia Amazônica.

Notícias relacionadas