Os oito países amazônicos, trabalhando no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), têm fortalecido conjuntamente suas capacidades humanas e institucionais para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) na Bacia Amazônica. Esse esforço visa garantir a robustez e a confiabilidade das redes regionais de monitoramento da quantidade e da qualidade da água, promover a implementação consistente de protocolos regionais que harmonizem os dados hidrológicos, de qualidade da água e geoespaciais, incentivar a inovação tecnológica e fortalecer o reconhecimento do papel das mulheres na gestão da água.
Cobrindo aproximadamente 6,1 milhões de km² e detendo cerca de 20% da água doce superficial do planeta, a Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo e um dos sistemas socioambientais mais complexos do planeta. Os oito países compartilham rios, aquíferos e ecossistemas, bem como desafios comuns relacionados à poluição da água, degradação dos ecossistemas, perda de biodiversidade e impactos das mudanças climáticas. Enfrentar esses desafios requer cooperação, coordenação e fortes capacidades institucionais em nível regional.
Para enfrentar esses desafios, os países amazônicos estão implementando o Programa de Ação Estratégica (PAE) para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos na Bacia Amazônica por meio do Projeto Bacia Amazônica, no âmbito do GEF/UNEP/ACTO. Desde 2021, o projeto tem funcionado como um instrumento regional para fortalecer a governança da água, alinhar políticas e traduzir os princípios da GIRH na prática além das fronteiras.
Nesse contexto, o desenvolvimento de capacidades tem sido um componente central do Projeto Bacia Amazônica. Entre 2023 e 2025, mais de 1.000 profissionais dos oito países amazônicos participaram de atividades de treinamento que integram ciência, tecnologia, governança e inclusão social. Esses esforços enfatizam a participação equilibrada de mulheres e homens e se concentram no fortalecimento das capacidades nacionais e regionais para a implementação prática do PAS.
- Participantes do Curso de Hidrologia Espacial durante uma sessão de treinamento realizada em Brasília, nas instalações da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) do Brasil.
- Participantes do Curso de Hidrologia recebem treinamento de campo sobre o funcionamento dos equipamentos de medição no rio Negro, na Amazônia brasileira.
Da nascente ao mar
A GIRH na Bacia Amazônica é orientada por uma abordagem da nascente ao mar que considera todo o continuum hídrico, desde as cabeceiras andinas até o Oceano Atlântico, e reconhece as interconexões entre água, terra, ecossistemas e atividades humanas. Essa perspectiva em toda a bacia apoia uma tomada de decisão mais coerente entre setores e escalas e fornece uma estrutura comum para abordar os desafios da segurança hídrica, das mudanças climáticas e do desenvolvimento sustentável.
Dentro dessa estrutura, o Projeto da Bacia Amazônica organizou atividades de treinamento regional com base na abordagem da fonte ao mar desenvolvida pelo Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI). O treinamento proporcionou aos participantes uma compreensão comum da GIRH em toda a bacia e apoiou o alinhamento de políticas, ferramentas de gestão e práticas institucionais relacionadas à implementação do SAP. Como componente complementar, a Caixa de Ferramentas GIRH da Parceria Global da Água (GWP) foi apresentada para inspirar a adaptação de ferramentas globais ao contexto amazônico. Metodologias participativas, incluindo jogos e exercícios de simulação, foram utilizadas para fortalecer a cooperação, a negociação e a tomada de decisões em contextos transfronteiriços.
Monitoramento das águas amazônicas
O fortalecimento das capacidades de monitoramento da água é um componente essencial da GIRH na Bacia Amazônica. As atividades de treinamento se concentraram na implementação dos Protocolos Regionais de Monitoramento da Água adotados pela Rede Amazônica de Autoridades da Água (RADA), um fórum de cooperação técnica sob a ACTO. Desenvolvidos em conjunto pelos oito países, esses protocolos estabelecem padrões comuns para harmonizar as práticas de monitoramento e apoiar a operação coordenada das redes regionais para a quantidade e qualidade da água.
- Curso regional sobre a aplicação de protocolos regionais de monitoramento na sede da OTCA, em Brasília.
- Aula prática do curso sobre a aplicação de protocolos regionais de monitoramento na Agência Nacional de Águas e Saneamento do Brasil.
Por meio de cursos regionais, profissionais de toda a bacia fortaleceram sua compreensão dos procedimentos, responsabilidades e arranjos institucionais compartilhados relacionados ao monitoramento integrado, ao mesmo tempo em que trocaram experiências sobre a aplicação de padrões comuns em contextos transfronteiriços. Treinamento adicional em hidrologia espacial apoiou o uso ampliado de dados geoespaciais e de sensoriamento remoto, complementando as observações de campo e aprimorando a análise hidrológica nos níveis nacional e regional.
Igualdade de gênero na gestão da água na Amazônia
Reconhecendo o papel central das mulheres na gestão da água, os países amazônicos fortaleceram a integração da perspectiva de gênero na GIRH como parte da implementação do SAP. Entre 2023 e 2024, o Projeto da Bacia Amazônica realizou atividades presenciais de treinamento em gênero nos oito países, com o objetivo de ampliar as capacidades nacionais para planejar, monitorar e avaliar a integração das considerações de gênero nas políticas, planos, programas e projetos relacionados à água.
Essas atividades reuniram mais de 500 profissionais que trabalham na GIRH e em setores relacionados. As habilidades desenvolvidas contribuem para promover a igualdade de gênero, fortalecer a participação das mulheres na governança da água e apoiar um acesso mais equitativo e o controle dos recursos hídricos e seus benefícios associados.
- Participantes realizam trabalho em grupo durante curso de formação sobre gênero em Caracas, Venezuela.
- Grupo de trabalho da capacitação sobre gênero em Lima, Peru.
Fortalecimento das capacidades locais e legado do projeto
Além do treinamento regional, o Projeto Bacia Amazônica também investe no fortalecimento das capacidades locais para apoiar a implementação prática da GIRH nos oito países. Esses esforços reforçam as capacidades institucionais, apoiam a adaptação climática e a gestão sustentável da água e fortalecem a ligação entre conhecimento técnico, tomada de decisões e ação local.
Com base no conhecimento e na experiência acumulados por meio de esforços de capacitação em nível regional e local, o projeto traduz o aprendizado em recursos com alcance mais amplo, estendendo seu legado além dos ambientes institucionais. Dois resultados importantes desse processo são projetados como ativos de aprendizagem abertos e transferíveis, acessíveis a uma ampla gama de usuários.
Um desses resultados é a Caixa de Ferramentas para Gestão da Água na Amazônia, uma plataforma online desenvolvida por meio de um processo participativo e inspirada na Caixa de Ferramentas GWP IWRM. Adaptada ao contexto amazônico, a plataforma sistematiza conhecimentos, métodos e orientações práticas para apoiar a implementação da GIRH e a tomada de decisões. Disponível em espanhol, português, inglês e holandês, a caixa de ferramentas é acessível a profissionais, formuladores de políticas, pesquisadores e parceiros além dos países da ACTO.
Esse legado é reforçado por meio de processos de aprendizagem contínuos, incluindo um curso online sobre igualdade de gênero na gestão da água na Amazônia, lançado em 2025. Ao transformar o treinamento em ferramentas e redes duradouras, o Projeto da Bacia Amazônica fortalece a cooperação regional e contribui para a sustentabilidade de longo prazo da gestão integrada da água na Bacia Amazônica.
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