Sumário
Tópicos
Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH), Gestión Integrada De Recursos Hídricos (GIRH), Google Earth Engine (GEE), Hidroinformática, Implementação do PAE, Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Programa de Ações Estratégicas (PAE), Rede Amazônica de Autoridades de Água (RADA)
Compartilhar
Tecnologia e dados para enfrentar desafios crescentes
A segurança hídrica na bacia amazônica enfrenta desafios cada vez mais complexos, como o aumento da demanda por água, a intensificação da poluição e as mudanças no uso do solo, que impactam diretamente o ciclo hidrológico. A variabilidade e as mudanças climáticas ampliam esses efeitos, tornando mais frequentes eventos extremos, como secas e inundações.
Nesse cenário, a hidroinformática foi apresentada como um campo essencial para modernizar a forma como os recursos hídricos são monitorados e analisados, permitindo integrar dados e gerar informações estratégicas para o planejamento e a tomada de decisões.
Novas ferramentas ampliam capacidade de análise
Um dos principais destaques da capacitação foi a apresentação de portais e plataformas que reúnem dados abertos sobre hidrologia, clima e uso do solo, com aplicações relevantes para a bacia amazônica. Baseadas na combinação de tecnologias como satélites, drones, sensores, análise em nuvem e inteligência artificial, essas ferramentas permitem, por exemplo, visualizar e analisar informações sobre precipitação, dinâmica dos rios e mudanças na cobertura vegetal, apoiando o monitoramento e a tomada de decisões na gestão hídrica.
Segundo Nagaraja Rao Harshadeep, especialista sênior em meio ambiente do Banco Mundial, essas ferramentas estão transformando a gestão da água em escala global:
“Hoje conseguimos integrar grandes volumes de dados — desde medições em campo até informações satelitais de alta resolução — para entender o que está acontecendo nas bacias hidrográficas, com base em dados em tempo real e séries históricas. Sobre essa base integrada, a inteligência artificial permite análises mais completas e decisões mais rápidas, fundamentadas em evidências.”
Nesse sentido, ele destacou que esses avanços também dependem da articulação entre diferentes escalas de monitoramento, incluindo o monitoramento de base comunitária:
“Quando combinamos dados dos sistemas de monitoramento comunitário com observações feitas do espaço — como níveis dos rios, precipitação e mudanças no uso do solo — conseguimos uma visão muito mais completa e integrada das bacias hidrográficas.”
Debate destaca avanços e limitações no uso de dados para a gestão hídrica
A sessão também abriu espaço para perguntas dos participantes, evidenciando tanto o interesse quanto os desafios relacionados ao uso de dados e tecnologias na gestão dos recursos hídricos.
Entre os temas levantados, destacou-se a dificuldade de modelar fenômenos complexos, como os chamados “rios voadores” da Amazônia, ainda limitados pela falta de dados consolidados e de ferramentas capazes de analisar essa dinâmica de forma integrada.
Outro ponto abordado foi o transporte de sedimentos, considerado um dos aspectos mais desafiadores na análise hidrológica, especialmente pela necessidade de dados de qualidade e pelas limitações das ferramentas disponíveis, ainda sem soluções globais consolidadas.
Por fim, os participantes também perguntaram sobre a possibilidade de modelar a qualidade da água e os níveis de contaminação com o uso dessas ferramentas. Em resposta, Hrishikesh Patel (Hrishi) – especialista em dados espaciais do Banco Mundial – ressaltou que já existem avanços importantes nessa área:
“Atualmente, satélites como o Sentinel-3 e o Landsat 8 são utilizados com regularidade para avaliar a qualidade da água, em conjunto com dados coletados em campo.”
Previsão hidrológica e inteligência artificial
Como continuidade do Plano Amazônico de Capacitação da RADA, em 10 de junho foi realizada uma nova sessão sobre os avanços globais na previsão de vazões e inundações por meio de dados abertos e inteligência artificial. O encontro apresentou as plataformas GEOGLOWS e Google Flood Hub, voltadas a apoiar a previsão hidrológica, os sistemas de alerta precoce e a tomada de decisões na gestão dos recursos hídricos, especialmente em regiões com limitações de dados.
A iniciativa faz parte dos esforços do Projeto Bacia Amazônica para promover a inovação, o uso de dados e a transformação digital como ferramentas para uma gestão mais eficiente e sustentável dos recursos hídricos na Amazônia.
Notícias relacionadas
15 de julho de 2026
A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), por meio do Projeto Bacia Amazônica (OTCA/PNUMA/GEF), está com processo seletivo aberto [...]
18 de maio de 2026
A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente [...]
15 de maio de 2026
O Brasil assumiu a presidência da Rede Amazônica de Autoridades da Água (RADA) para o biênio 2026–2028 durante a IV [...]