Como parte do Plano Amazônico de Capacitação para a Gestão Integrada da Água, da Rede Amazônica de Autoridades da Água (RADA), o Projeto Bacia Amazônica realizou, em 2 de fevereiro, com o apoio do Banco Mundial, o curso virtual “Aproveitando a análise de dados em nuvem para a água: uma introdução à plataforma de processamento e análise geoespacial Google Earth Engine (GEE)”. A capacitação reuniu mais de 60 participantes dos países membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) interessados no uso de tecnologias inovadoras para a gestão dos recursos hídricos.

Analítica de nuvem aplicada aos desafios hídricos e climáticos

O curso, de caráter introdutório, foi ministrado por dois especialistas do Banco Mundial: Nagaraja Rao Harsh, Especialista Principal em Meio Ambiente, com atuação em hidroinformática, tecnologias disruptivas e inteligência artificial; e Hrishi Patel, especialista em dados espaciais e consultor da equipe de Serviços de Informação e Dados (KIDS) da unidade de Meio Ambiente da divisão Planet.

Durante a capacitação, os participantes foram introduzidos ao potencial da analítica de dados em nuvem como ferramenta estratégica para enfrentar desafios associados às mudanças climáticas, à gestão hídrica em tempo real e ao monitoramento ambiental na Amazônia. A partir do uso de plataformas geoespaciais, como o Google Earth Engine (GEE), é possível acessar, integrar e analisar grandes volumes de dados ambientais, permitindo uma compreensão mais aprofundada da dinâmica das bacias hidrográficas amazônicas. Nesse contexto, foi ressaltado que o acesso ao Google Earth Engine e aos conjuntos de dados públicos disponíveis na plataforma é gratuito, o que facilita o uso dessas informações por instituições públicas, equipes técnicas e pesquisadores.

A partir dessa abordagem, os especialistas destacaram as possibilidades analíticas da computação em nuvem e os conjuntos de dados disponíveis em escala global e regional. Por meio de exemplos ilustrativos, mostraram como o uso de plataformas geoespaciais possibilita explorar, ao longo do tempo, informações-chave sobre hidrologia, clima, biodiversidade e uso do solo na Amazônia, inclusive com recortes históricos de até 40 anos, ampliando a compreensão das dinâmicas ambientais da região.

Previsão de eventos extremos e monitoramento de bacias

Os especialistas também destacaram como as ferramentas de hidroinformática disponíveis na nuvem permitem avaliar a situação das bacias hidrográficas, prever enchentes e analisar riscos hidrológicos, com base em dados provenientes de serviços meteorológicos de diferentes partes do mundo. Plataformas como o Climate Engine e soluções desenvolvidas pelo Banco Mundial oferecem suporte à previsão de eventos extremos, incluindo cenários de curto prazo, como previsões de inundação para os próximos 15 dias.

Segundo os palestrantes, a integração de múltiplas camadas de dados — clima, hidrologia, biodiversidade, agricultura e aspectos socioeconômicos — representa uma mudança significativa na forma como as análises geoespaciais são realizadas, ampliando a capacidade de resposta, planejamento e tomada de decisão de autoridades públicas, formuladores de políticas, equipes técnicas e instituições que atuam na gestão ambiental e hídrica da região amazônica.

Sessão prática e uso do Code Editor do Google Earth Engine

O treinamento online contou com uma etapa de caráter prático-demonstrativo, dedicada ao Editor de Código do Google Earth Engine, na qual foram apresentados exemplos de código aplicados a casos essenciais de recursos hídricos, meio ambiente e monitoramento climático.

O uso do code editor foi apresentado como elemento central da analítica de dados em nuvem, permitindo escrever, testar e executar códigos que conectam diferentes bases de dados, realizam análises avançadas e geram visualizações e produtos analíticos diretamente na nuvem.

Inovação, inteligência artificial e perspectivas futuras

Durante o curso, também foram discutidas as oportunidades e desafios do uso da inteligência artificial na análise de dados ambientais, com ênfase na necessidade de potencializar seus benefícios e mitigar impactos negativos, como o consumo energético associado às novas tecnologias. Segundo os especialistas, o uso crescente da IA nos próximos anos deverá transformar ainda mais a forma como os dados geoespaciais são analisados, contribuindo para uma compreensão mais precisa da Amazônia e de suas transformações ambientais.

A capacitação incluiu o compartilhamento de recursos técnicos complementares e a aplicação de uma enquete para identificar temas de interesse para futuras sessões de treinamento, como serviços de dados abertos e hidroinformática, plataformas analíticas existentes, previsão de vazões, gestão integrada de bacias e conceitos básicos de inteligência artificial. A RADA, por meio do Projeto Bacia Amazônica, pretende avançar nessa série de capacitações, aprofundando o uso de ferramentas digitais e analíticas que contribuam para o fortalecimento da gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos na região amazônica.

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