Nos dias 5 e 6 de março de 2026, a cidade de Bogotá, na Colômbia, sediou um encontro técnico que reuniu especialistas e instituições para compartilhar avanços e identificar oportunidades e desafios na implementação de um sistema participativo de monitoramento nos rios Putumayo e Amazonas. A atividade foi realizada no âmbito da intervenção nacional do Projeto Bacia Amazônica (OTCA/PNUMA/GEF), que buscou fortalecer o conhecimento socioambiental em comunidades ribeirinhas que utilizam recursos pesqueiros compartilhados nessas bacias, bem como promover o monitoramento de ecossistemas aquáticos, com vistas à construção de diretrizes conjuntas para a gestão dos recursos hidrobiológicos entre as autoridades pesqueiras e ambientais da Colômbia e do Peru.

Organizado pelo Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas SINCHI, o encontro reuniu 25 representantes de instituições governamentais dos dois países, centros de pesquisa e organismos internacionais, consolidando um espaço de diálogo técnico voltado ao fortalecimento da gestão compartilhada dos recursos hidrobiológicos na região amazônica.

 

Intervenção fortalece gestão pesqueira 

Inserida na Zona de Integração Fronteiriça entre Colômbia e Peru, a área de atuação da intervenção apresenta elevada importância socioeconômica e ambiental. Nessa região, a pesca — tanto de consumo quanto ornamental — constitui uma atividade estratégica para as comunidades locais e para a economia regional, ao mesmo tempo em que enfrenta pressões associadas à degradação dos ecossistemas aquáticos e à sobreexploração de espécies de alto valor.

Nesse contexto, a intervenção propõe a implementação de um sistema de monitoramento de ecossistemas aquáticos voltado à sustentabilidade dos recursos pesqueiros na Zona de Integração Fronteiriça Colômbia–Peru (ZIFCP), especificamente nas bacias dos rios Putumayo e Amazonas. O sistema busca integrar informações biológicas, ambientais e socioeconômicas, com o objetivo de apoiar a gestão pesqueira e a tomada de decisões em um contexto transfronteiriço.

A zona de atuação abrange mais de 277 mil km², incluindo territórios do departamento do Amazonas e do município de Puerto Leguízamo, na Colômbia, bem como as províncias de Mariscal Ramón Castilla e Putumayo, no departamento de Loreto, no Peru. Trata-se de uma região de alta riqueza ecológica, onde aproximadamente 8,9% do território está sob alguma categoria de proteção, totalizando mais de 2,46 milhões de hectares protegidos entre os dois países.

A geração contínua de informações e o envolvimento das comunidades ribeirinhas são elementos centrais da iniciativa, contribuindo para o fortalecimento da governança local e para a construção de uma base técnica que favoreça a coordenação entre Colômbia e Peru na gestão de recursos compartilhados.

Desafios e cooperação para a sustentabilidade

As discussões realizadas durante o encontro evidenciaram que a Zona de Integração Fronteiriça Colômbia–Peru abriga ecossistemas aquáticos estratégicos para a biodiversidade amazônica e para a segurança alimentar das populações que dependem da pesca. Nesse contexto, foi ressaltado o papel dos humedais e das planícies de inundação na manutenção dos ciclos hidrológicos, sendo áreas fundamentais para a reprodução, alimentação e refúgio de espécies pesqueiras.

Os participantes também destacaram que as alterações nos regimes de precipitação, temperatura e vazão dos rios podem impactar os ciclos ecológicos e a produtividade pesqueira, reforçando a necessidade de sistemas de monitoramento integrados e transfronteiriços. Considerando que os recursos são compartilhados entre os países, a gestão eficaz depende da produção e do intercâmbio de informações científicas de forma coordenada.

Outro ponto relevante foi a identificação de lacunas de informação sobre as interações entre espécies de importância socioeconômica e as comunidades que delas dependem, especialmente na bacia do rio Putumayo, o que dificulta a harmonização de normas de conservação e regulação entre os países.

Como resultado do encontro, foi reforçada a importância do monitoramento como ferramenta estratégica para a adaptação às mudanças climáticas, permitindo avaliar tendências, antecipar riscos e fortalecer a gestão dos ecossistemas aquáticos e da pesca. Nesse sentido, os avanços gerados pela intervenção contribuirão para o desenvolvimento de um sistema regional de monitoramento de ecossistemas aquáticos na Amazônia, voltado para fortalecer a gestão integrada, a tomada de decisões e a cooperação entre os países da região.

A realização do evento reafirma o papel do Projeto Bacia Amazônica no apoio a iniciativas nacionais que promovem a cooperação regional e a sustentabilidade dos recursos naturais, contribuindo para a conservação da biodiversidade e o bem-estar das populações amazônicas.

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