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Representantes dos oito Países Membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) participaram, na sede da OTCA em Brasília, da V Reunião do Comitê Diretor do Projeto Bacia Amazônica, espaço estratégico de coordenação regional voltado para fortalecer a implementação do Programa de Ações Estratégicas (PAE) para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) da Bacia Amazônica.

A reunião contou com a participação da Diretora Executiva da OTCA, Vanessa Grazziotin; do Coordenador de Meio Ambiente da instituição, Carlos Salinas; e de Isabelle Vanderbeck, gerente de projetos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), agência responsável pela implementação do Projeto. Durante o encontro, os países avaliaram os avanços técnicos e institucionais, discutiram as prioridades regionais e aprovaram o Relatório de Gestão 2025, o Plano de Trabalho e o Orçamento 2026, bem como o Plano de Contratações e Eventos. Os participantes também reafirmaram compromissos relacionados ao monitoramento, à cooperação regional e ao fortalecimento da governança da água na Bacia Amazônica.

Governança regional e articulação estratégica

Durante a abertura da reunião, Carlos Salinas destacou alguns dos principais avanços promovidos pelo Projeto Bacia Amazônica ao longo de sua implementação para fortalecer a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) na região. Entre eles, mencionou a criação da Rede Amazônica de Autoridades da Água (RADA), o desenvolvimento da Caixa de Ferramentas para a Gestão da Água na Amazônia e a aprovação dos protocolos regionais de monitoramento.

Salinas também destacou os avanços no monitoramento e na troca de informações, incluindo o desenvolvimento conceitual da Plataforma Regional Integrada de Informações sobre Recursos Hídricos e a formação do Grupo Regional de Monitoramento, iniciativas consideradas fundamentais para fortalecer a interoperabilidade de dados e apoiar processos de decisão baseados em evidências científicas.

“Esses resultados refletem o valor da cooperação amazônica e reafirmam que a gestão sustentável da água deve continuar ocupando um lugar central na agenda regional”, afirmou.

Por sua vez, Isabelle Vanderbeck, gerente de projetos do PNUMA, destacou a importância de continuar fortalecendo a articulação entre as múltiplas iniciativas atualmente em andamento na região, incluindo a RADA, com o objetivo de maximizar os impactos.

“A transformação da Amazônia virá da coordenação, da articulação e da construção gradual de mecanismos regionais sustentáveis, tanto institucionais quanto financeiros, nos quais os países e parceiros possam se apoiar coletivamente”, observou.

Vanderbeck também reafirmou o alinhamento do PNUMA com o processo de consolidação e operacionalização do Mecanismo Amazônico para a Cooperação e Ação (MACA) da OTCA.

Avanços técnicos e institucionais do Projeto Bacia Amazônica

Durante a reunião, a coordenadora do Projeto Bacia Amazônica, María Apostolova, apresentou os principais avanços alcançados em 2025. Entre eles, destacou a adoção de protocolos regionais de monitoramento para as Redes Amazônicas de Quantidade e Qualidade da Água (RHA e RCA) e os avanços nas ações voltadas para o fortalecimento de ambas as redes regionais, incluindo atividades facilitadoras, fortalecimento de capacidades institucionais, capacitação em protocolos regionais e formação em hidrologia amazônica e hidrologia espacial. Apostolova também destacou a elaboração do Livro Branco sobre o papel da OTCA na cooperação regional para a GIRH na Bacia Amazônica e os avanços na Plataforma Regional Integrada de Informação sobre GIRH. 

Entre outros avanços, Apostolova destacou a criação do Grupo Cultural da Água Ad Hoc (GCA), o desenvolvimento do protótipo da plataforma do Compêndio de Manifestações Culturais, Artísticas e Educativas da Região/Bacia Amazônica e a apresentação do Panorama do Mercúrio na Região Amazônica.

Entre os avanços acumulados ao longo da implementação do Projeto, destacou-se o fortalecimento das capacidades técnicas nos Países-Membros, com 1.166 profissionais capacitados em gestão de recursos hídricos desde 2023.

Em relação às intervenções nacionais e binacionais implementadas no âmbito do Projeto, foi informada a conclusão de quatro iniciativas —três nacionais e uma binacional— e a continuidade de outras 15 intervenções atualmente em execução .

Monitoramento de eventos extremos e papel estratégico da informação

O Comitê Diretor reconheceu os avanços alcançados nas intervenções relacionadas ao monitoramento de geleiras e ao monitoramento comunitário de ecossistemas aquáticos e águas subterrâneas, destacando sua contribuição para o fortalecimento da segurança hídrica, a adaptação às mudanças climáticas e a geração de informações estratégicas para a GIRH.

A reunião também destacou os avanços dos Sistemas de Alerta Precoce (SAP) Trinacional, Mantaro e Rio Negro, considerados ferramentas fundamentais para fortalecer a capacidade de resposta a eventos extremos na região amazônica. Os participantes ressaltaram que os investimentos em prevenção e alerta precoce geram benefícios significativamente superiores aos custos de remediação e reconstrução.

Nesse contexto, o Comitê Diretor recomendou acelerar os procedimentos de doação de equipamentos de monitoramento aos Países-Membros que deles necessitem, com o objetivo de garantir a sustentabilidade, a operação e a manutenção dos sistemas instalados.

Também foram destacados os avanços na comunicação regional, na produção de materiais técnicos e audiovisuais e na consolidação do site do Projeto Bacia Amazónica como plataforma regional de divulgação, intercâmbio de conhecimentos e visibilidade dos resultados.

Recomendações do Comitê Diretor

Durante as deliberações, o Comitê Diretor destacou a importância de fortalecer a replicabilidade e a ampliação das intervenções desenvolvidas no âmbito do Projeto, especialmente aquelas voltadas para o fortalecimento das redes de monitoramento hidrológico, hidrometeorológico e ambiental na região amazônica.

O Comitê também destacou a importância do Conjunto de Ferramentas para a Gestão da Água na Região Amazônica como instrumento regional de apoio à GIRH e incentivou os Países-Membros a continuar promovendo sua utilização e fortalecimento.

Da mesma forma, recomendou acompanhar o processo de aprovação do Livro Branco sobre o papel da OTCA na cooperação regional para a GIRH na Bacia Amazônica, no âmbito da RADA/PTA, e a atualização da Análise Diagnóstica Transfronteiriça (ADT) e do Programa de Ações Estratégicas (PAE).

Além disso, o Comitê Diretor incentivou os Países Membros e os atores regionais a continuar avançando com a Agenda Cultural da Água e a continuar contribuindo para o Compêndio de Manifestações Culturais, Artísticas e Educativas da Região/Bacia Amazônica e para os demais objetivos do componente de cultura da água.

Por fim, o Comitê Diretor recomendou que os resultados do projeto e da reunião fossem comunicados à IV Reunião da Rede Amazônica de Autoridades da Água (RADA).

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