A Rede Amazônica de Autoridades da Água (RADA) aprovou seu Plano de Trabalho 2026–2028, que estabelece as prioridades e ações que orientarão a cooperação entre os oito Países Membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH) nos próximos dois anos.
Sob a Presidência do Brasil, exercida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o novo ciclo busca consolidar os avanços alcançados desde a criação da RADA e ampliar a implementação dos instrumentos e mecanismos de cooperação construídos nos primeiros anos de funcionamento da Rede.
O Plano está organizado em cinco ações estratégicas: continuidade da implementação do Plano Amazônico de Capacitação; construção gradual de um acordo regional para o intercâmbio de dados hidrometeorológicos; apoio à atualização do Programa de Ações Estratégicas (PAE); estruturação de bancos de projetos nacionais e regionais para segurança hídrica e resiliência climática; e conclusão, validação e publicação do Livro Branco da RADA.
Na ocasião da transferência da Presidência da RADA para o Brasil, em maio, Larissa Rêgo, diretora da ANA, ao receber a Presidência da Rede em nome do Brasil, antecipou o sentido que orientaria o novo ciclo:
“A RADA entra agora em uma nova etapa, voltada à consolidação dos instrumentos regionais já construídos e ao fortalecimento da cooperação entre os países amazônicos para enfrentar desafios comuns relacionados à água, ao clima e ao monitoramento regional.”
Da construção dos instrumentos à implementação
Criada no contexto da Cúpula da Amazônia, realizada em Belém em 2023, a RADA constitui um espaço permanente de coordenação técnica e articulação institucional entre as autoridades nacionais responsáveis pela gestão dos recursos hídricos dos Países Membros da OTCA.
Em seu primeiro ciclo, entre 2024 e 2026, a Rede avançou na construção das bases institucionais e técnicas para a cooperação regional. Entre os resultados estão a aprovação de seu Regulamento, a criação do Painel Técnico Especializado de Apoio (PTA), o desenvolvimento do Plano Amazônico de Capacitação para a GIRH e a aprovação dos Protocolos Regionais da Rede Hidrológica Amazônica e da Rede de Qualidade da Água.
O Plano 2026–2028 parte desses avanços para concentrar esforços em resultados concretos, no fortalecimento das capacidades dos países, na geração e no uso de informações de qualidade e na estruturação de iniciativas voltadas à segurança hídrica e à resiliência climática.

Autoridades da água dos Países Membros da RADA durante reunião realizada em Brasília, em 15 de maio de 2026.
Capacitação para fortalecer capacidades regionais
Uma das cinco frentes será dar continuidade à implementação do Plano Amazônico de Capacitação para a GIRH, fortalecendo o processo de formação e intercâmbio técnico entre os Países Membros.
Estão previstos cursos e oficinas sobre gestão integrada dos recursos hídricos, monitoramento, gestão de dados, eventos extremos, segurança hídrica, águas subterrâneas, hidrodiplomacia e financiamento. As capacitações deverão apoiar também a implementação do PAE e dos protocolos regionais de monitoramento, o intercâmbio de dados e o fortalecimento das capacidades para enfrentar eventos críticos e os impactos das mudanças climáticas.
Avanço no intercâmbio regional de dados
Outro eixo estratégico é a elaboração e implementação gradual de um acordo regional para o intercâmbio de dados hidrometeorológicos.
Os protocolos regionais de monitoramento já estabeleceram orientações sobre tratamento, disponibilidade, publicação, segurança, acesso e gestão das informações. O novo Plano prevê avançar na construção de um marco institucional acordado entre os países que estabeleça regras, responsabilidades, salvaguardas, níveis de acesso e procedimentos para o intercâmbio de dados.
O processo deverá respeitar a soberania e as legislações nacionais, criando condições para um intercâmbio gradual e seguro de informações de interesse regional. Entre as ações previstas estão a elaboração e discussão de uma proposta técnica para o acordo, uma experiência piloto com um conjunto de dados prioritários e o avanço da Plataforma Integrada para a GIRH.
O Plano incorpora a essa agenda o Grupo Regional de Monitoramento, constituído no âmbito do Projeto Bacia Amazônica – Implementação do PAE, reforçando a articulação entre as capacidades nacionais de monitoramento, as redes regionais e os instrumentos de informação da OTCA.
Atualização do PAE e prioridades para a gestão da água
A RADA também apoiará a OTCA na atualização do Programa de Ações Estratégicas (PAE), instrumento regional que orienta ações coordenadas para enfrentar os principais desafios relacionados à gestão integrada dos recursos hídricos da Bacia Amazônica.
A contribuição da Rede deverá concentrar-se nos temas diretamente relacionados à sua missão, incorporando à atualização do PAE os avanços e prioridades construídos pela RADA em áreas como gestão da água, monitoramento, intercâmbio de dados, segurança hídrica e resiliência climática.
Projetos para mobilizar novos recursos
Outra frente do Plano é a estruturação de bancos de projetos nacionais e regionais para segurança hídrica e resiliência climática. A proposta é reunir e estruturar iniciativas prioritárias dos Países Membros, transformando-as em propostas com potencial para captar recursos nacionais, regionais e internacionais.
Os países poderão apresentar projetos prioritários, inclusive de interesse comum ou transfronteiriço, em áreas como GIRH, monitoramento, gestão de eventos extremos, proteção de fontes de água, águas subterrâneas, fortalecimento institucional e soluções baseadas na natureza.
O Plano prevê ainda a definição de critérios para priorizar essas propostas e o mapeamento de fundos climáticos, organismos de cooperação internacional, bancos multilaterais e outros potenciais parceiros. Para 2028, está prevista uma mesa técnica com financiadores para apresentar a carteira preliminar e discutir caminhos para a preparação dos projetos.
Livro Branco para orientar a cooperação regional
A quinta frente será a conclusão do Livro Branco da Água, cuja versão preliminar foi adotada em linhas gerais pelas autoridades da água em maio de 2026.
O documento deverá refletir os avanços do primeiro ciclo da RADA, os desafios identificados pelos Países Membros, os resultados dos protocolos regionais e as perspectivas de implementação do PAE, além de apresentar diretrizes para fortalecer a cooperação regional na gestão dos recursos hídricos amazônicos. O Plano prevê sua revisão e consolidação técnica, seguida da validação pela RADA, edição, tradução e publicação.
Um Plano construído pelos Países Membros
A proposta do Plano de Trabalho foi elaborada pela presidência da RADA e submetida a um processo de análise e construção técnica com os Países Membros. Em 16 de junho, o Painel Técnico Especializado de Apoio reuniu-se para consolidar o documento e, ao concluir a revisão, recomendou sua aprovação pela RADA. O Plano foi aprovado em 26 de junho, durante a V Reunião Extraordinária da RADA.
O processo incluiu também a análise da incorporação ao Plano do Grupo Regional de Monitoramento e da Plataforma Integrada para a GIRH.
A implementação será realizada de forma coordenada entre a presidência da RADA, a Secretaria Permanente da OTCA, o PTA e os Países Membros ao longo do período 2026–2028.
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